Páginas

sexta-feira, 5 de março de 2010

O Stand Up Comedy

Um gênero cada vez mais em voga, a comédia Stand-Up privilegia o humorista de cara limpa, munido apenas de microfone e o pedestal. O repertório não consiste das conhecidas "piadas" encontradas em livros e revistas, e sim de observações do humorista do mundo à sua volta, do cotidiano, da atualidade. Não requer a estrutura de "casos", e sim de tópicos, buscando a risada complacente da platéia de acordo com seu raciocínio. (Claro, não existe "manual", nem "regra certa", não há um "ministério da comédia stand up" que proíba esta ou aquela maneira de fazer). Uma das principais características, e também um dos atrativos da comédia stand up é propor justamente esse trabalho de criação de material original por parte do comediante. A piada existe, mas na descoberta do próprio cotidiano (em uma infinidade de temas), afinal, todo tipo de humor busca uma boa gargalhada. Segundo a Folha de São Paulo (em 15/12/03): “A Cena Teatral abraça Comédia Stand-Up – Gênero com único ator no palco cresce ao encontrar formato no Brasil. O comediante adepto da stand-up comedy encontra cada vez mais espaço na cena brasileira.” Ou seja, o gênero chegou pra ficar. Estão os exemplos de Jerry Seinfeld, cujo show de TV teve o intervalo mais caro da história, e a longevidade da carreira de astros como Jô Soares, que ainda demonstra o estilo na abertura de seus programas. Também podemos destacar o exemplo de Dave Leterman e Jay Leno, em seus talks shows, Chris Rock, Ellen DeGeneres, e até astros como Steve Martin ou Robin Willians começaram suas carreiras fazendo comédia stand up. E porquê a comédia stand up vem ganhando este espaço? Não há uma resposta correta, mas podemos observar que chega um momento em todo ciclo que se busca pelo novo. E esse é um estilo que respira novidade, em contrapartida à velha escola de comédia que já se apresenta meio “cansada” na televisão. Não há nada mais engraçado que o cotidiano e as neuroses urbanas elevadas num grau máximo de bom humor. (Particularmente, acho melhor levar à platéia a gargalhada simplesmente exercitando sua inteligência. Quando afirmo que "não há nada mais engraçado que o cotidiano", que o estilo me atrai e me faz rir, é porque me surpreende, não apresentando um formato ou texto conhecidos. Ainda pessoalmente, acredito que "toda forma de humor vale a pena": cenas, paródias, personagens, piadas. O que importa é a cena bem escrita, a paródia planejada, o personagem bem criado, a piada bem contada, e mesmo cada estilo vai encontrar uma parcela do público que o aprecia e outra que não goste tanto. Não devemos confundir o que nós não preferimos com o que é "ruim" ou "não é engraçado", só porque não gostamos. O mestre Chico Anysio lembra sempre: "não existe piada ruim, existe piada sem graça", sendo ele mesmo dono de engraçadíssimas histórias em stand up, autor de várias paródias, criador de centenas de personagens geniais e um exímio contador de piadas.) Cláudio Torres Gonzaga, experiente redator de humor na TV (entre outros, trabalhou em Chico Total e A Grande Família), elaborou um pequeno conjunto de regras quando criou o espetáculo "Comédia em Pé ", no Rio de Janeiro. Cabe aqui lembrar o manifesto, ressaltando-se, porém, que não há um "manual", e que há formas de se abrir uma exceção. Mas para quebrar regras, é preciso dominá-las: 1 – O comediante só pode se apresentar sozinho. Jamais em dupla ou grupo. 2 – Só é permitido se apresentar com texto próprio. Não pode usar piadas que já caíram em uso popular ou foram recebidas pela Internet. Muito menos usar aquele truque muquirana de contar a anedota como se o fato tivesse acontecido de verdade, tipo “eu tenho um tio português... 3 - Não pode fazer personagem. Também não vale transformar a si mesmo em personagem ou usar figurinos engraçados. Use roupas que você usaria normalmente, no dia-a-dia. 4 – Evitar contar casos. O material deve ser preferencialmente de tópicos de observação. 5 – Deixar bem clara a persona de cada um. Não tente fingir ser quem você não é. Seja você mesmo, sempre. Se você é mau humorado, seja assim no palco, por exemplo. E se em determinado dia você estiver de saco cheio, assuma; se estiver eufórico, idem; assuma o seu estado diante da platéia. Aliás, é importante também tentar trazer sua rotina pro mais perto de você o possível. Se o comediante for judeu, em algum momento fale de judeus, se for gay, fale sobre gays se for nerd, fale sobre ser nerds,etc. 6 – Não é permitido o uso de trilha sonora ou qualquer tipo de sonoplastia. 7 – Não é permitido fazer nenhuma marcação de luz. Use apenas a iluminação básica do palco. 8 – Não é permitido o uso de cenografia ou adereço. 9 – Os comediantes podem e devem testar material novo diante da platéia. Vale desde improvisar tendo apenas o tópico em mente até ler as piadas, caso elas não estejam decoradas ainda. 10 – Não forçar a barra. Se você tem apenas cinco minutos de material, faça uma apresentação de cinco minutos e saia. Tudo bem. Não enrole. As apresentações, aliás, serão sempre de 5, 10 ou 15 minutos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário